domingo, março 05, 2006

"Papel de PT na Sociedade Info..."


Estamos mergulhados em redes comunitárias e de informação vital para a sobrevivência dos seres humanos. A Informação torna-se assim num recurso estratégico a gerir.

Quando designamos a nossa sociedade actual de “Sociedade da Informação”, referimo-nos também à Sociedade da Tecnologia, do Conhecimento, da Aprendizagem e da Comunicação. Esta é a Sociedade Global em que vivemos: onde estamos cada vez mais dependentes de tecnologia que gera aglomerados de informação que nos chega de todo o lado, através da interacção pela comunicação que nos faz estar constantemente a aprender.

Este processo levanta um problema essencial: como identificar e apreender o que é verdadeiramente relevante neste turbilhão de informações em que estamos mergulhados?

A Sociedade da Informação exige uma contínua absorção e actualização dos conhecimentos dos cidadãos. O conceito de Educação ao longo da vida deve ser encarado como uma construção contínua da pessoa humana, dos seus saberes, aptidões e da sua capacidade de discernir e agir.

Em Portugal deverá haver a preocupação dos estudos direccionados para a nova realidade dos meios digitais como o multimédia, a cibersegurança, entre outros. A escola (Educação) desempenha um papel fundamental em todo o processo de formação de cidadãos aptos para a sociedade da informação (potencial/ "informacional") e deverá ser um dos principais focos de intervenção para se garantir um caminho seguro e sólido para o futuro.

Se em Portugal vivemos numa sociedade com uma perspectiva global e temos consciência de que integramos o “micro cosmo” da lusofonia, numa realidade onde cada um dos cidadãos é um potencial produtor de info para a rede (Net), cabe-nos a responsabilidade de fortalecer e solidificar os veios comunitários que existem tanto no mundo lusófono como no mundo europeu. Portugal é um país europeu com história colonialista e não deve abdicar da oportunidade que a sua língua lhe dá: ao ser o elo comum entre tantos milhões espalhados pelo mundo tem de deixar de ser uma “possibilidade” e passar a ser uma “realidade”.

Porque a Sociedade de Informação não é apenas tecnologia mas sobretudo pessoas, enfrentamos a urgência de resolver problemas de fundo como a crise económica, o desemprego e o envelhecimento da população.

A UE está a ser vítima da globalização e das mudanças da economia mundial. Cabe aos Europeus a tarefa da adaptação das mentalidades e estruturas a estes tempos em que a própria mudança muda mais rápido. Falo, pois, de haver ainda um aparelho burocrático muito pesado e obsoleto, um saudosismo da velha glória da nobreza e dos tempos colonialistas, uma espécie de atavismo cultural que olha com desconfiança para a diversidade cultural, causadora de medos e proteccionismos ultrapassados. Como é que se pode construir uma única identidade, coesa, com um espírito comunitário, se existem tantos países na dita “União” Europeia que não abraçam plenamente o conceito de diversidade cultural? Penso que ainda não se passou verdadeiramente da terminologia “Comunidade Económica Europeia” e que a UE que temos é apenas plena na disposição de “livre circulação de bens e de pessoas” que já o Acordo de Schengen previa. De qualquer modo, eu acredito que (como dizia Wiener) através da Comunicação é possível alcançar a harmonia social.

Num mundo onde há países que comprovam a ideia da riqueza que advém do “melting pot”, existem poucos países com uma declarada política inclusiva e oficial de aceitação de Emigrantes. Temos como bons e raros exemplos o Canadá, a Austrália e a Suécia (única na Europa).
Temos (leia-se nós Portugueses) de nos advertir também para um dos motivos do crescente desemprego que é a deslocalização das fábricas para outros países de salários mais baixos.

Tal como o resto da Europa, Portugal também se encontra em crise económica, com o desemprego a ameaçar todos os cidadãos que enquanto jovens, podendo mover-se livremente, procuram emprego noutros países e deixam para trás um Portugal e uma Europa mais envelhecidos. Daí que penso que legalizar os emigrantes seria uma boa medida para levantar os salários e a dignidade da classe trabalhadora nacional. Além disso os emigrantes passariam a integrar realmente a sociedade portuguesa, fazendo do país a sua “casa”, “vestindo a camisola”. Descontariam para a Segurança Social dinamizando o aparelho estatal e garantindo a reforma da tal população envelhecida, da pirâmide demográfica invertida.

Também Portugal tem a responsabilidade de inovar, fazendo uma cisão com os antigos paradigmas e investindo na investigação para as tecnologias, para o Ambiente, a Saúde e a Economia. Partindo do objectivo de maior igualdade e justiça sociais, de uma política de inclusão, combatendo a exclusão, para melhores serviços, mais qualidade, eficiência e produtividade. Há que desenvolver competências para a nova Era em que vivemos; apostar no crescimento, na Educação e nos empregos para então haver ferramentas e condições para construir o tão aspirado espaço único de informação e regulação.

Por enquanto o “sonho europeu” que Jeremy Rifkin verbaliza fica-se pela mera tentativa - o que não é mau de todo, se atentarmos na ilusão e consequente desilusão em que o “sonho americano” se tornou.

1 comentário:

Carla Ganito disse...

Embora este seja um espaço de opinião é preciso sustentar as opiniões que expressamos. Embora este post esteja bem redigido não vai além da expressão de opiniões até com poucos exemplos concretos.